De dentro pra fora

abril 23, 2012

 A confusão que se estende entre meus dedos e o sorriso na cara, espelhado nas fotos, é maior que a minha cara a tapas. Eu corroí-me nos papéis que insisto em guardar nos bolsos das minhas calças, a caneta falhou um momento e eu não tive onde me socorrer, além da memória.
 Afinal, eu sou uma colecionadora de lembranças, não é? Não é. Fernanda Oliveira em seu livro Inverso, sabe os caminhos na minha alma. Augusto Cury e Nietzsche nas suas filosofias 'randômicas' e distintas me fazem enlouquecer um pouco na noite obscura. Aí eu lembro da vez que fui esquecida na pista de dança, vozes gritavam alto no palco, pessoas conversavam, riam, se esmurravam ao meu lado. Eu fiquei parada, esperando a pessoa, que disse que voltaria rápido, voltar. Em vão, acabei me achegando perto do palco, olhando pessoas desafinarem. E eu queria fugir dali, fugir de mim.
 Errei.
 Errei nesse ponto outra vez. Esperar demais. Acreditar demais. Achar que o erro não é só meu.
 Mas é.
 A língua parece cortar todas os pensamentos que me passam na cabeça, ao encarar de frente aquela pessoa que eu dizia fazer o diabo a quatro por ela. Eu faria. Eu faço. Mas a corrosão dos pensamentos em mim, indicam para me calar. E deixar seguir. 
 Como sempre faço, não é? É...
 O arriscar parece estar na curva seguinte. E eu encaro a fila de carros prosseguir.
 Suspiro.
 Errei de novo.
 E de novo.
 E me dói. Doeu. Vai doer.
 Mas eu deixo seguir, como sempre faço...
 
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