Eu não achei o título correto

fevereiro 05, 2017

Eu não acredito que engasguei a verdade. Eu procuro outros sistemas, outras formas de conter.
Eu não acredito que eu te deixei com o fato. Com o trato, o acordo, o não dado.
Eu ainda estou fadada ao erro, a essa rotina, que me consome e ao mesmo tempo me fascina.
Eu revivi minhas asas, voei, vivi, e nas batidas do relógio do meu pulso eu adormeci.
Nesses lençóis quentes de suor, nessa tua língua enrolada com o meu nome.
Nesse viés que não é a tua sorte.
Nessas mãos que me jogam longe.
E me apertam.
E te devoram a carne.

Não tenho esperanças de um dia em que tudo se encaixe, e eu te diga que está tudo certo.
Eu temo.
Nosso ser imperfeito, que pulsa durante a música e os gritos.
Eu temo.
Eu temo que eu sinta que nada disso houve sentido.

Me deixa ser má, crescer, envelhecer, desistir.
Me deixa ser.
E me resgata.
Me perdoa.
Me envolve.
Me deixa te crer.

Convencer-me de quem eu sou

abril 30, 2016


Aquele dia quente, bruto e selvagem chegou arranhando a garganta apertada. Refazendo os passos mal dados dentro das diversas praças.
A correria feia das pessoas ao redor, os sons malucos que vinham de diversos lados, risos perturbados, gritos e olhares exaltados.
Aquela confusão toda corria nas veias, "será que", "se eu fizer", "não acredito", "estúpida". As palavras corroíam o sangue pulsante e feroz, a cabeça girava junto com o peito vibrante e fugaz.
Era tudo incapaz, era tudo um ato ridículo, impensado, impulsionado.
As botas sujas de terra, urina, bebidas e aquela areia fina da praia. A blusa querendo sair, correr da pele, nada disso cabia ocorrer ali. Nada disso cabia ocorrer aqui dentro.

Eu sou iníqua, um monstrinho com dentes tortos, uma pessoa que não mede consequências e alguém que se perde no inexistente.

Aquele dia apagou todas as convicções do certo e errado. Tudo é errado. Tudo.
As escolhas feitas, o perfume usado, a cor do cabelo, a largura de um sorriso, o som forte de um riso.
Tudo estava perdido e errado.

E dentro daquele carro, passando as diversas luzes, calmaria, madrugada, escuridão.
Eu descobri.
Eu descobri que não sei realmente quem sou, eu não sei quem quero ser e onde quero chegar.
Eu perco o lápis, o óculos, o carregador, meu cabo usb, o livro, perco tudo e todos.
Me achava uma pessoa sã e complexa.
Mas sou lodo, esquivo, difuso.
Eu sou nada.

im fucked.

fevereiro 14, 2016

Essa é dedicada a todos que um dia eu conheci e conheço.
Saibam que, eu tenho a mania de, mesmo que você seja uma pessoa inesquecível, durável e verdadeira em minha vida, eu vou te ignorar alguma hora.
Não porque eu queira ou porque tenha algum motivo, eu só acho que não há razão ou circunstâncias para eu parar a tua vida para que tu possa me escutar, me sinto a pessoa que mais incomoda todos, e sim, talvez isso seja ridículo e um pouco depressivo, mas, desde cedo senti isso, e as pessoas me transmitiam que eu não fazia nada bem a elas.
Eu era alguém que estava lá porque tinha que estar lá, não porque queriam.
(E os meus porquês estão errados. Eu sei.)
Você não pode esperar muito de mim, tenho sérias crises de julgamento...
dos outros, claro.
Sou antipática, quieta, introvertida, arrogante.. e por aí vai, claro que, na boca dos outros.


Mas sou quieta mesmo. E as vezes prezo pelo meu silêncio, pela minha quietude, pela minha brandura.
Me desculpe se passo horas online na sua lista, se te vejo em algum lugar, se eu te falo um oi apenas, se te curto apenas, se não te respondo.
É que... eu não sei ser alguém direito ainda, passo vergonha, medo e raiva.
Sou deslocada, e prefiro que entenda que, eu não te quero mal, te quero muito bem mesmo, te quero perto, mas eu não sei te perguntar como a vida tá, pois eu sou aquela pedrinha incômoda que te sola o dedo do pé.


"Me diz se é em vão todo o esforço, a dedicação"*

agosto 22, 2015

Das vezes que fui mais esperta que isso que ocorre aqui, eu me fudi. Em todos os sentidos da palavra.
Eu não pude correr atrás das respostas para as perguntas que cutucavam minha cabeça mas que nunca foram pronunciadas, não por medo e sim por falta de chances.
Oportunidades são aquelas que não devem ser perdidas, e eu nunca as tive, eu lembraria se tivesse tido alguma!
E quando falei algo, eu fui esquecida, por mim e pelos outros, porque o álcool estava presente.
Me fiz de desentendida, de estúpida, de brincalhona. Sendo que nada sou disto.
Nada sou dessa frescura que cerca os lábios em sorrisos, nada sou destes diálogos fúteis que só me servem pra querer me afastar dessa humanidade que segue esse padrão ridículo.
Não me sinto diferente de tudo isso, me sinto perdida entre as ruas, nos ônibus, nas bibliotecas, nas salas de aulas, nos computadores e nesse maldito celular que só faz vibrar, mas ninguém liga.

Eu cortei o cabelo, aquelas pontas pretas estavam realmente me incomodando, porque todo o loiro maldito do cabelo estava voltando, nenhuma maldita tinta fica, só aquele preto.
Eu não alarmei, eu só achei que aquilo faria algum sentido.
Não fez.

Eu quis participar da panelinha, do clubinho, e simplesmente não consegui me imaginar ali.
Não dá.
Não consigo.
Tudo é alien pra mim. E eu não quero ser falsa, não com faces que parecem tão somente ser sinceras, mas com pouca profundidade.
É. Talvez eu julgue demais tudo ao meu redor. Mas a misantropia as vezes ataca, ataca meus braços, meu cérebro e, principalmente, minha boca ( eu solto grunhidos involuntários enquanto reviro os olhos sem querer ).
E eu até peço desculpas por isso, deve ser este o motivo pelo qual a aversão a meu rosto, a minha pessoa, é tão grande. Sim.

Não tem como encerrar esse apelo por : QUANDO É QUE EU VOU ME SENTIR MENOS PERDIDA E CONFUSA DENTRO DE MIM MESMA?

Não tem solução.
O que resta é aquele velho vinho barato - que não tem nada de vinho - e uma roda de pessoas conhecidas, só pra tirar aquelas velhas perguntas da cabeça.



* A marcha do mundo - Display
 
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